Tudo que o Justin Timberlake quer é fazer você enxergar em The 20/20 Experience.

  Ressuscitando o Faixa a Faixa, trago comigo o mais novo integrante do blog. Brendo Canuto irá me ajudar a comentar sobre os dois mais novos álbuns do Justin Timberlake, eu falarei do The 20/20 Experience e ele do The 20/20 Experience part 2 of 2. O post ficou enormeeeeee, mas foi feito com muita dedicação pra vocês, espero que tenham paciência pra ler até o fim, com certeza valerá a pena.




  Depois de sete anos em hiatus Justin Timberlake volta ao mundo da música mais rico, mais lindo e cheio de classe com o primeiro single do seu terceiro álbum de estúdio. Suit & Tie foi o lead single do The 20/20 Experience e conta com a participação do rapper Jay Z. A música é difícil digestão, o que pode deixá-la bem chata, mas depois de um tempo e uma versão sem o Jay Z você começa a amar e cantarolar por aí. A mistura do ritmo R&B, alguns instrumentos de música clássica e a doce and sensual voz do Justin são os ingredientes perfeitos para uma balada super classuda.



  Depois de Suit & Tie a espera pelo álbum completo só se fez cada vez mais urgente e as expectativas por músicas do mesmo nível e sem o Jay Z foi a maior possível. Pusher Love Girl abre o cd em seus primeiros segundos de uma forma totalmente introdutória, que lembra o início de filmes antigos. A música segue totalmente nessa linha de introdução, uma balada que abusa dos falsetes e de instrumentos de sopro, com um refrão grudento e duração de pouco mais de oito minutos. É aqui que começamos a nos incomodar com essas extensões, que na maioria das músicas vem a ser desnecessárias. Don’t Hold the Wall vem pra tirar o gosto amargo deixado por Suit & Tie, um R&B com batidas meio ~afro~, refrão fácil e que ganha uma sonoridade diferente do meio pro fim, se tornando algo mais dançante e mais sensual. Uma das melhores do álbum na minha opinião, pois ela consegue fugir um pouco do urban costumeiro das outras músicas que compõem o trabalho. Please don't hold the wall tonight.
  Strawberry Bubblegum e Tunnel Vision seguem a linha padrão empregada no álbum, canções R&B recheadas de diversos instrumentos, que do meio pro fim recebem um up a mais com uma mudança de sonoridade. Destaque em Tunnel Vision que é usada uma fórmula um pouco mais madura de tratar nossos ouvidos nos jogando em uma música bem mais produzida e “bonita” de se ouvir, é impossível ficar parado. 
  Spaceship Coupe chega pra acalmar nossos ânimos, uma balada romântica bem produzida e sem deixar nenhum espaço pra desgosto, gostosa de ouvir, com alguns solos de guitarra e uma batida perfeita pra dançar coladinho com quem você ama <3 E é uma das músicas mais longas, com mais de sete minutos, mas que passam muito rápido devido a extrema qualidade. Depois temos That Girl que chega a ser uma das músicas mais interessantes de se ouvir. Com uma introdução que lembra programas de rádios da década de 60’ e um ritmo também marcante da mesma época a música nos faz viajar no passado através de seus instrumentos de sopro e de seu charme embutido. A esse ponto do álbum percebemos o real objetivo do Justin ao formular músicas tão compridas, como o nome do disco remete (20/20 é uma expressão para quem tem a visão muito boa, usada no ramo da oftalmologia.), ele quer fazer que enxerguemos a música, não apenas ouví-la, usar a criatividade e imaginação para também ver a música e acaba alcançando perfeitamente seu objetivo.
  Let The Groove In lembra um pouco Don’t Hold the Wall por conter elementos tribais, como batidas marcadas por instrumentos de percussão mesclados a instrumentos de sopro e a vozes de fundo. Uma das minhas favoritas justamente por sair um pouco da zona de conforto do R&B e investir em algo mais dançante e não menos sensual. E finalmente temos a delícia de Mirrors quase encerrando o álbum de uma forma totalmente digna. Uma balada romântica, contagiante, fofa, com uma letra linda e inspiradora composta por vários outros elementos que levam a uma música beirar a perfeição, como trechos em acapella. Não direi mais nada, ouça por conta própria:


  E pra encerrar de vez temos Blue Ocean Floor, a triste, triste, triste serenata. Calma e emocionante à música termina o álbum de uma forma simples, minimalista e bonita.

  Justin produziu um álbum com os dois pés no R&B, e talvez no tempo das músicas presas à batidas eletropop não fosse fazer tanto sucesso, mas ele mostrou seu potencial e trouxe para o mundo da música um pouco mais de qualidade. The 20/20 Experience é um álbum sólido, composto por músicas bem produzidas, não chega a pecar gravemente em nenhum quesito, mas deixa um gostinho de quero algo novo e de quero uma versão em Radio Edit do álbum. Se depois dos mais de 70 minutos de músicas você não conseguir sentir a experiência 20/20, talvez precise visitar seu oftalmologista.


  Com o seu arrasa-quarteirões The 20/20 Experience, Justin Timberlake deu o pontapé inicial para o grande comeback do R&B ao cenário mainstream musical. Ele, juntamente com Timbaland e suas batidas familiaríssimas nos embalou na mais atual era do gentleman. "2 of 2", em seu sumo, nos mostra um Justin menos preocupado em agradar à crítica com suas (e do seu gêmeo siamês, Timbaland) produções mirabolantes e cheias de extensões relativamente longas. A segunda versão do 20/20 é mais sexy, porém sem deixar o ar classudo exposto da primeira, e extremamente cativante, o que na minha opinião, fez toda a diferença, pois o álbum que detém o hit Suit & Tie, não me agradou por completo, pois apesar de ser impecável sonoramente, não me mostrou um JT brand new e cheio de revolução, como fora tão esperado. O único diferencial da era "20/20" é a perfeita forma de nos transportar a outros lugares com suas músicas de ar cinematográfico e nos fazer apaixonar e fantasiar por um Justin Timberlake sutil, romântico e vestido em Armani.
  Abrindo as alas, Gimme What I Don't Know (I Want), já nos trás o velho e faceiro Justin, com as conhecidas trocas de frases envolvendo sex appeal e mulheres, a primeira faixa do álbum é selvagem, e, diferente de Mirrors, os efeitos sonoros produzidos pela boca do próprio Timberlake caíram como uma luva, deixando a faixa mais cognitiva ainda. Em seguida, após a nada inovadora Gimme What I Don't Know, esbarramos na fantástica True Blood, levemente inspirada na série de televisão americana com o mesmo nome, é totalmente atrevida e com muito pano pra manga para se tornar uma Thriller da nova década, com seus 9 minutos e 31 segundos de puro sangue quente, que você nem os percebe passando. Cabaret e TKO só nos dão mais a certeza que o senhor JT está realmente à vontade fazendo o que gosta, soa suave em meio a batidas pesadas, mostrando ainda mais seu amadurecimento musical e suas oscilações vocais agradabilíssimas.


  As inspirações em Michael Jackson são praticamente explícitas e notórias, o próprio já citou em entrevistas que o rei do pop é sua maior fonte musical e nós já captamos isso direitinho. Depois do remake de Thriller, em True Blood, temos Don't Stop Till You Get Enough, repaginada na semi-entediante Take Back the Night, escolha frustrada de lead single da segunda tiragem do álbum, o fato da música ser boring não a torna ruim, é uma música muito bem produzida, obrigado, porém não é aquele tipo de música marcante, nela, fica explícita a diferença de repetições desnecessárias da frase-título com o termo catchy, Take Back the Night é boa de ouvir, sim, uma vez perdida. Murder, e sua composição nada interessante, passa desapercebida, a não ser pelos versos do grande JAY Z, o que levanta toda a bola da música com apenas seu rap cheio de maestria: "Yoko Ono, she got that Yoko Ono / You know that shit that made John Lennon go solo / Know that shit gotta be lethal / If that pussy broke up The Beatles", dando mais ênfase ao tema central da canção, com essa citação excepcional. Dando continuidade, Drink You Away atrai toda atenção por suas referências ao old country rock e sua letra cheia de dor-de-cotovelo. É uma das melhores de longe, se eu ainda o tivesse, meu status do MSN Messenger seria "Don't They make a medicine for heartbreak?". You Got It On é a Spaceship Coupe do 2 of 2, R&B midtempo, fofo (brega) e agradável, porém totalmente dispensável, diferente de Amnesia, que consegue nos segurar até seu último segundo.
  Simplesmente, TODA MINHA EXPECTATIVA DO QUE PODERIA SER A VIBE DO 20/20 convertida em uma canção: Only When I Walk Away é extremamente FODA. Guitarras, R&B imposto, forte e synth vocals. Sem falar da extensão final (nada imprudente) provocativa e com elementos de reggae que a deixa mais deliciosa de se ouvir. Para não deixar Only When I Walk Away perdida no álbum, Not a Bad Thing também trás riffs de guitarras -quase imperceptíveis-, diluído à suavidade de violões. A última faixa do álbum nada mais é que todo aprendizado que JT agregou ao longo de sua carreira com N'Sync, a canção é melódica e doce, composta por frases com o teor de açúcar ainda mais alto, em outras palavras, Timberlake nos apresentou uma nova Mirrors, encerrando o cd com uma música que nos pega pelo lado emotivo, Not a Bad Thing é tão ruim quanto. Fiquei apreensivo em saber que a música que menos gostei no álbum tinha 11 minutos, e, diferente da psicodélica Blue Ocean Floor, Not a Bad Thing mais parece uma canção pop do Justin Bieber. Em meados dos 5 minutos, Timberlake nos apresenta a segunda parte da canção, que mais poderia ser uma nova, livremente intitulada Pair of Wings, ela consegue o que Not a Bad Thing não o fez, ser sutil e doce, mas na medida certa, sem exageros. Voz e violão foi uma bela forma de encerrar o 2 of 2.
  A grande e gritante diferença da primeira parte para essa, é que houve inovação, não ficou pesado, massante de ouvir. The 20/20 Experience - 2 of 2 é mais flexível e nos apresenta novos sons, sem mudar nada do que foi exposto na primeira parte, sua classe e sua bela produção, 2 of 2 complementa toda era e consegue alavancar ainda mais a qualidade do álbum. É Justin Timberlake nos mostrando que pode ser um Frank Sinatra, com toda atitude de um James Dean.

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3 Comentários

  1. Achei bem interessante o seu ponto de vista sobre os albuns e até concordo em parte.Porém discordo totalmente com a parte em que The 20/20 experiencie está mais na zona de conforto de Timberlake.Ao olharmos os hits e album de maior sucesso do Justin que é o Futuresexlovesongs,é possivel notar musicas com maior teor sexual e mais pops apesar é claro da grande influência do R e B. Por isso acho a primeira parte da experiência mais ousada por ter tido todo teor retrô do R e B classico e fugir um pouco da sexualidade em evidência das musicas mais"comerciais". Porém ambos os albuns são fantasticos e dignos de toda a repercurssão.

  2. Anônimo says:

    Do primeiro album, gosto de " tunnel vision"," Don't hold the wall","Mirrors".
    Do segundo gostei de "cabaret", "TKO","Murder"
    Os cds se equiparem em qualidade, porém o encarte do primeiro é bem mais bonito

  3. Anônimo says:

    É muito mau gosto apreciar esses "músicos" dos últimos anos, como Justin Timberlake, Justin Bieber, Rihana, Katy Perry, Beyoncé, Lady Gaga, Timbaland etc. São verdadeiros caça-níqueis. Sem talento nenhum. A mídia engrandece esse pessoal porque ganha muito dinheiro com essas músicas descartáveis.

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