Jogos Vorazes: Em Chamas, mostrando mais uma vez que veio pra ficar.

               Diante de um mercado recheado de filmes adaptados de livros Jogos Vorazes conseguiu, desde seu lançamento em 2012, se destacar e construir todo um novo estilo literário/filmográfico. Querendo ou não a série foi a responsável por trazer o estilo literário distópico de volta das cinzas, e falando em cinzas, na sexta estreou (especialmente no Brasil) a adaptação do segundo livro da série, que leva o nome de Em Chamas.
              Jogos Vorazes: Em Chamas chega aos cinemas com o dever e obrigação de continuar o enorme sucesso que seu antecessor reproduziu ao redor do mundo, sendo adaptado do melhor livro de toda trilogia não é de se estranhar uma grande onda de expectativas diante do filme e as expectativas só são atendidas e superadas a cada nova cena que se desenrola na tela.




               Logo nos primeiros segundos sentimos uma tensão enorme, nada de logotipo, nada de flahsbacks sobre o primeiro filme, o diretor não demostra preocupação nenhuma em explicar a situação do filme para os mais desatentos. Temos Katniss sozinha fazendo o que sabe fazer de melhor: caçando, mesmo que quando contra sua vontade. Agora muito mais sábia muito mais abalada e muito mais temorosa em relação a capital Katniss se mostra um verdadeiro abismo de sentimentos tendo que lutar contra si mesma e contra a responsabilidade de ser um símbolo para a rebelião após ter desafiado a capital e saído viva dos Jogos. Vemos um filme que transmite as emoções da personagem principal, como o livro é narrado em primeira pessoa e o filme em terceira o diretor teve cuidado em usar de outras ferramentas pra mostrar os sentimentos da personagem. A fotografia do filme é densa, simples, sombria e principalmente triste, o que só nos faz perceber os conflitos internos e externos que o 74° Jogos Vorazes deixou. 
               Durante mais ou menos 1h30min de filme somos apresentados a Turnê da Vitória, realizada por Katniss e Peeta, onde vão passando por todos os distritos para ostentar a vitória, só que não é exatamente o que acontece. Como previsto pelo presidente Snow, o romance dos dois não foi recebido como um ato de amor e sim como um ato de rebeldia, o que causa uma onda gigantesca de vingança nos distritos que querem lutar contra a Capital. A cada novo distrito Katniss se ver cercada pela vontade da população em se rebelar contra o controle absoluto da Capital e principalmente se vê entre uma faca de dois gumes, onde do outro lado está o Presidente Snow querendo que ela tire essa imagem da cabeça da população. Katniss tem que lutar contra si, tentar acalmar as pessoas e principalmente tentar não ser controlada pela Capital. 
               Para celebrar a 75° edição dos Jogos é anunciado o terceiro Massacre Quaternário, ou seja, os tributos da vez serão escolhidos dentre os vencedores das edições anteriores. Snow quer mostrar aos distritos que mesmo os vencedores não podem fugir das garras da Capital, o que acaba enfurecendo mais ainda a população e os próprios tributos. Provavelmente a cena que mais me emocionou durante a leitura, quando a Katniss percebe que vai voltar pra Arena, é simplesmente emocionante. Jennifer nos joga em um abismo onde nos afunda com sua atuação mais profunda, vemos uma Katniss totalmente abatida e a mercê dos jogos manipuladores da Capital. 


               Assim como em Jogos Vorazes, em Em Chamas encontramos personagens abatidos, sofridos e principalmente desesperados com tudo que pode acontecer. Katniss está cada vez mais chocada com o horror que a Capital pode causar em seus distritos, Peeta está cada vez mais apaixonado por Katniss e até mesmo a Effie, que parecia totalmente superficial no primeiro filme, aqui está totalmente delicada e sentimental com seus pupilos. Diante de todo esse sofrimento por parte da Katniss, das revoltas dos distritos e do desespero de Snow em manter tudo dentro do sistema a edição de 75° Jogos Vorazes promete surpreender até mesmo quem duvida do pior.
               Jogos Vorazes é provavelmente a única saga que sabe manter a linha tênue entre ser fiel e não ser fiel e conseguir ser um filme do caralho. Temos uma adaptação completamente fiel, a não ser por alguns detalhes que só quem leu sabe, e ao mesmo tempo temos inserções de coisas que não existem no universo literário, mas que acaba abrilhantando e muito o contexto do filme. Os livros são narrados em primeira pessoa, o que se torna difícil de adaptar para terceira pessoa, mas com a maravilhosa atuação da Jen (íntimo rs) tudo fica muito claro para quem está assistindo, essa mulher é simplesmente fantástica, não me surpreenderia se ganhasse outro Oscar de melhor atriz. Destaque também para os outros atores como Josh Hutcherson que nos mostrou um Peeta muito mais sentimental e delicado, Sam Claflin que nos mostrou desde sua primeira aparição que é o ator ideal para interpretar o Finnick e Jena Malone que roubou a cena interpretando uma das personagens mais marcantes do longa Johanna Mason.
               Um dos pontos fortes do filme é esse: as atuações, todos os atores se exibiram com maestria diante a tela, cada personagem delicadamente pincelado com seus dramas e conflitos. O orçamento bilionário se justifica em cada detalhe, seja na fotografia, na maquiagem ou nos exorbitantes efeitos especiais da Arena. O acréscimo de Francis Lawrence na direção nos abrilhanta o filme com a retirada de câmeras tremidas e adição de closes belíssimos. Provavelmente o único erro do longa é não ter um fim, como é um filme do meio, o final acaba ficando vago e a cena mais impactante funciona melhor no livro. Apesar disso o filme termina de uma forma brilhante, mostrando a transformação do tordo.



               Jogos Vorazes: Em Chamas é mais que apenas um filme de aventura, é um filme que nos faz refletir sobre tudo, sobre todos e principalmente sobre nós mesmos. Um filme politizado, sobre uma nação que despreza seus habitantes, sobre um controle absoluto, sobre desigualdade, é definitivamente uma reflexão. Durante suas pouco mais de duas horas Em Chamas nos transporta por diversas emoções, reflexões, e principalmente nos mostra para o que veio. A saga Jogos Vorazes só nos lembra, mais uma vez, que não está de brincadeira e que quer, e vai ser, a saga da década. Depois de nos banharmos em um filme maravilhoso só nos resta esperar por Novembro de 2014 e que venha Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1.

Nota:


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4 Comentários

  1. Olá, eu me orgulho muito de ter tido conhecimento desse livro muito antes do lançamento no Brasil, pois eu li-o e adorei, pensei que tava me empolgado demais com a história, mas nãao, agora eu vejo, depois de lançado no Brasil e ter duas adaptações, o quão bom crítico eu sou shuahsua. Só esse finalzinho com o Tordo abrindo as asas, já faz qualquer um endoidar para assistir A esperança parte 1. É a minha primeira vez aqui. Tem post novo lá no blog, passa lá.
    Abraços,
    J. A. Santos

  2. Magnífica essa resenha, Pablo.

  3. Amei o texto! Amo esse livro/ffilme! haha
    Seguindo e Curtindo! Lindo Blog! Amei!
    PS:Parceria Blog Overdose Literária com Autor Marcos DeBrito!! Passa lá e comenta/Segue/Curti se gostar! Retribuo visitas!
    http://overdoselite.blogspot.com.br/2013/12/parceria-blog-overdose-literaria-com.html
    Beijos!

  4. Ola tudo bem ? Me chamo Raquel Watanabe, sou fotógrafa e possuo um site/blog aonde publico meu trabalho ! Conheci seu blog através do site Grupo Autentica !Gostaria de saber se aceita parceria (Trocas de links) ? Aguardo seu contato em meu site! http://www.raquelwatanabefotografia.com.br/

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